Na última quinta-feira, 10/8/2011, fiz minha inscrição, pelo Projeto Viva Bem do Supremo Tribunal Federal com o Hemocentro de Brasília, para participar da doação de sangue nas dependências do Tribunal.
O projeto, muitíssimo interessante, visa buscar servidores e colaboradores com plenas condições de saúde para aumentar o banco de sangue do Hemocentro, para pacientes das diversas unidades hospitalares públicas do Distrito Federal.
Segui recomendações. Não comi nada gorduroso no café da manhã, não ingeri lactose e derivados, dormi 6 horas, não pratiquei exercícios físicos tudo conforme as orientações recebidas pela equipe de apoio do Tribunal que ajudara no evento.
E ainda assim, a grande surpresa...
Não pude doar!
Ora, mas como não se todos os quesitos, inclusive o principal de gozar de plena saúde, estavam preenchidos?
Todos... não! Infelizmente, não!
Ao participar da triagem clínica para prosseguir para a doação, o médico me informou que homossexuais com parceiros fixos são impedidos de doar sangue.
Como? - Indaguei-o perplexo.
É que os índices de transmissão de DST - Doenças Sexualmente Transmissíveis -, são maiores em homossexuais masculinos - Ele respondeu atônito, preferindo não dar certeza.
O desejado para que um homossexual doe sangue é ele permanecer doze meses sem ter nenhum tipo de relação sexual com qualquer parceiro que seja.
Pareceu-me irônico, pois no caso dos heterossexuais, a premissa é válida apenas na primeira doação.
E os focos de DST, principalmente o HIV/AIDS, cresceram nesses últimos pares.
Eu me senti retrocedendo por dentro!
A função social de quem doa sangue é mais que um gesto de cidadania, é de solidariedade.
E isso é óbvio porque os recebedores são pessoas em estado de risco, fracas, em condições palpérrimas de saúde física.
E eu não pude doar porque namoro há 1 ano e 7 meses.
Apesar da revolta, coloquei os eixos em seus lugares e notei que se esse critério existe, alguma razão fisiológica deve haver.
Ainda assim a crítica que faço é que quem quer ajudar, como eu quero - mas não pude -, fica inerte até um posicionamento mais atual das equipes de pesquisa ser lançado, em relação a doadores homossexuais.
Mesmo com esse episódio um pouco desagradável, aconselho:
DOEM SANGUE. DOEM VIDA!


