Um pouco de mim

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Primeiramente: o título nos leva a diversas interpretações. Talvez a polissemia do termo "indiferente" cause dualidades. Mas a minha real intenção é dizer que quando as várias diferenças assumem seus lugares, sem precisar de rotulações, elas se tornam comuns, ou seja, NORMAIS porque "ser diferente é normal!". Por isso, permitam-se! As diferenças que todos nós temos só nos tornam mais exuberantes e únicos nesta vida. Façam valer! "O tempo não pára"! Agora falando de mim: sou um ser que age para os outros como gostaria que agissem para com ele. Simples estudante, trabalhador, homem e lutador que faz da sua rotina um marco para experiências incríveis, talvez "repetidas", mas sempre únicas. Como pré-operador do Direito, busco a melhoria para nosso País e isso não é demagogia política, é apenas uma utopia de um cidadão comum. Espero, creio, quase que infinitamente, num mundo diferente. E faço minha parte daqui para que ela se dissemine e que haja discussões interessantes das quais aperfeiçoaremos o que mais de uma cabeça, e só se é possível "pensar bem" assim, pode pensar.

sábado, 16 de abril de 2011

Intolerância. Raiva. Ódio. A difícil realidade de ser feliz como se é de verdade.

Trago à tona uma situação complicada, inclusive ensejadora para a criação deste Blog.
Eu, homossexual assumido, sofro com qualquer tipo de discriminação e preconceito. Seja em qual minoria for. Nem homens ou mulheres gays, nem negros ou pessoas com deficiência etc.
No dia 13/4/2011, o programa "Conexão Repórter", da Rede SBT, trouxe como tema de edição "No Rastro da Intolerância".
O programa começa abordando o porquê de tanto ódio e dificuldade que as pessoas "comuns" sentem em dividir o espaço que têm com os que são diferentes. Ali, retrataram-se as cenas mais absurdas de desumanidade e violência gratuita dispensada aos homossexuais. São cenas de agressões física e verbal em festas ou encontros gays e em uma encenação feita por dois atores daquela emissora, quando fingem ser homossexuais no centro de São Paulo, o local onde mais agressões aos LGBTTT ocorrem.
É notória a raiva e todo o sentimento sanguinolento que os agressores têm, ainda mais quando usam de artefatos religiosos para explicar, ou ao menos tentar, a razão de tanta repugnância.
Num momento da reportagem, o repórter Roberto Cabrini está com um grupo de intolerantes de Santo André/SP e as revelações ali feitas não deixam dúvidas de toda a fúria que eles, inclusive uma mulher com comportamentos aparentemente masculinos - e nesse tocante eu levanto uma dúvida: lésbica com ódio de gays? - têm em relação aos homossexuais.
As respostas são sempre as mesmas, ou é porque "Deus fez Adão e Eva", ou talvez porque a prática de afeto entre homossexuais "quebra o valor da família". É algo surreal e brutal, pois são pessoas que dizem, ainda, que gays só existem "por causa da criação" - recordam-se do Senhor Bolsonaro?
O temor que nós sentimos é algo inexplicável. Eu, na condição de estudante e trabalhador, não sei se chegarei bem em casa após um dia de rotina, pois posso sofrer a ação dos intolerantes em qualquer lugar.
É onde a mora do Legislativo atrapalha a evolução da sociedade livre, justa e solidária.
Do ponto de vista jurídico, assim como feito com outras minorias - e exemplifico com a preconização na Constituição Federal do crime de racismo e com a Lei Maria da Penha, grandes defensoras dessas minorias: mulher e pessoas negras - deve-se agir para combater ao crime de ódio contra os homossexuais, visto que agora a saída seria a criminalização da homofobia. É assunto delicado, mas que causa grande repercussão e com resultados trágicos se, pelo menos inicialmente, essa medida não for tomada.
Há na câmara dos Deputados o Projeto de Lei 122/2006 que torna a homofobia crime com reclusão, pagamento de multa e outras medidas proibitivas aos agentes.
Ao passo que nossa sociedade alcança outros patamares, não se pode admitir que a ideia geral de HOMEM/MULHER ultrapasse a barreira da vida e da liberdade que nos é assegurada pela Carta Magna de 1988. Sem a punição específica para esses delitos, mais e mais pessoas destituídas de bom senso e carregadas de preconceito cometerão essas atrocidades, como mostram trechos da reportagem.
Além do mais, essa matéria retrata uma parte do que acontece rua a fora. Vale lembrar que em qualquer lugar deste País, inclusive neste momento, pode haver alguém sendo atacado por ser homossexual.
Não basta dizer que ser homossexual não influi em caráter e que nós - incluo-me nesta - não temos intenção de disputar qualquer coisa que seja com os demais.
A maior vontade é de ser feliz!
De sair de casa para qualquer lugar e receber tratamento humanista.
Na segunda parte da reportagem há o relato de um rapaz, o Vítor, que teve apoio de sua família após percalços terríveis de autoaceitação e aceitação dos seus familiares.
Além da emoção que o homossexual tem, tanto ao se assumir para si como para os demais, há a vontade que seus iguais detenham o respeito que merecem para que todos da sociedade civil convivam pacificamente.
Ora se a paz é ápice que se busca por meio de um Estado Democrático de Direito, derramando-se sangue e estourando carros em travestis ou até mesmo sobrevindo vontade de liquidar o parceiro de um filho gay seriam se aproximar dela?
Nada de subjetividade no termo PAZ. Estar em paz, viver em paz é chegar ao ponto de estar feliz, de ser feliz de transmitir felicidade.
Fazendo a linha cristão- e eu também o sou -, irmãos todos nós somos.
Mas irmão mata o outro? Desfere pancadas de cano de ferro ou tacos de beisebol contra o outro? Ou, com mais brutalidade, chuta a cabeça do outro até que o crânio se rache e surja o tão conhecido traumatismo?
BASTA.
E se preciso for pressionar os três Poderes da União para que essa situação mude, assim eu começo daqui.
Espero que estes exemplos que trouxe com a matéria do SBT sirvam para reflexão e para retirada do machismo e moralismo - falsos e dispesáveis por completo - de nossa convivência comum.
Todos nós aprendemos com as diferenças.
Será que alguém já aprendeu algo como "amor ao próximo" com esse artigo que eu - assumido desde os 15 - fiz, lembrando que sou "diferente por Natureza"?
Utilizemos nossa grande arma. Pensem.
Cérebro em desuso atrofia e gera monstros tenebrosos.
Nossa sociedade está cheia deles.
Como resgatá-los dessa realidade cruel?

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